Por que fazer um Retiro Espiritual?

O horário do trabalho, que por vezes se estende; a família, à qual dedicamos menos tempo do que gostaríamos; compromissos que não podemos adiar; reuniões e imprevistos de todo tipo… Enredados num emaranhado de compromissos e obrigações, por vezes perguntamo-nos se somos realmente protagonistas das nossas vidas ou se somos empurrados pelas circunstâncias, que nos arrastam como uma forte correnteza.

Muitos sentem que nas suas vidas, tão cheias de atividades, falta algo, mas não sabem bem como mudar o rumo das coisas. A correria do dia-a-dia, da qual não nos sobra muito tempo, anestesia rapidamente esses desejos de mudança. E tudo continua na mesma. É a dialética do urgente e do importante: há sempre algo urgente que nos impede de encontrar tempo para o importante.

A paz de uns dias de retiro espiritual serve para pensarmos com calma no que é importante, longe do ruído urbano e dos nossos compromissos, e para pôr ordem nas ideias. Vida cristã, família, estudo, trabalho, amizades… Está cada coisa no seu devido lugar? Há algum aspecto da minha vida que devo redimensionar?

Um retiro serve para descobrir um Deus mais próximo, presente na teia da vida diária, e que dá profundidade sobrenatural à nossa existência. Os dias de retiro são dias de silêncio e de recolhimento interior. Fechamos a porta dos sentidos e esquecemo-nos das preocupações, para dar prioridade à atividade interior, ao exame de consciência, à reflexão pausada feita na presença de Deus sobre a nossa vida.

Como resultado de um retiro espiritual bem aproveitado, os frutos virão espontaneamente, quase sem os procurarmos: propósitos de conversão – grandes ou pequenos – em algum aspecto da nossa vida. Porque, em última análise, um retiro consiste em situarmo-nos na presença de Deus e enfrentarmo-nos com a verdade sobre a nossa própria vida.

Na prática

O Opus Dei proporciona a quem desejar meios de formação que nos auxiliam a desenvolver uma relação assídua com Deus no meio do trabalho, do estudo e das demais atividades cotidianas. Entre esses meios de formação encontram-se os retiros espirituais.

Geralmente ocorrem em um final de semana, de sexta a domingo, para que não afetem o horário de trabalho ou estudo. Um dia de retiro está preenchido com várias práticas dirigidas pelo sacerdote, palestras de formação, Santa Missa e outros atos de piedade, além de amplos espaços entre esses atos, para que cada um medite por conta própria ou leia algum livro que julgue conveniente.