Dica de leitura: Jane Eyre

Quando li Jane Austen, achei que tinha encontrado o que há de melhor na literatura inglesa da primeira metade do século XIX. Não nego que seus livros são esplêndidos; entretanto, a obra-prima de Charlotte Brontë, Jane Eyre, ultrapassou infinitamente minhas expectativas. Nesta narrativa inigualável, acompanhamos a autobiografia angustiante de Jane, desde sua infância órfã sob os tratos de uma tia cruel, passando por um internato, até, aos dezenove anos, ser contratada como governanta pelo severo Sr. Rochester. Um homem orgulhoso e não particularmente bonito (ela também não o é), na presença de Jane ele revela, por trás de um espírito conturbado, um fundo de bondade que a atrai. Mas há dificuldades além das diferenças, substanciais por si mesmas, de classe e de idade entre os dois: um segredo terrível esconde-se em Thornfield Hall…

Enfrentando as mais extenuantes reviravoltas do destino, Jane atesta coragem, fortaleza, integridade: por mais que lhe custe imensamente, nunca perde de vista sua noção da própria dignidade, seus princípios e sua confiança em Deus. Uma personagem de admirável força de caráter, que, amando intensamente, não busca justificar o egoísmo nem a imoralidade. Uma heroína cujo grande mérito é o inabalável respeito que mantém por si mesma.

O romance é relativamente longo – em torno de quinhentas páginas –, mas garanto que, ao terminar, deseja-se que seu tamanho fosse o triplo do que é. Um enredo envolvente, um estilo irresistível e personagens brilhantes: impossível não se apaixonar por Jane Eyre!

 

Por Laura Lacroix